Sindicatos fazem um balanço do período de inatividade comercial

No período que teve início no mês de março até as medidas de flexibilização da economia divulgadas pelo Governo do Estado de São Paulo foram praticamente 80 dias em que proprietários de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços de Matão deixaram de atender; portanto, enfrentam dificuldades econômicas de diversas naturezas.

Segundo o Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio-Matão), seis lojas encerraram atividades na cidade. O Sindicato dos Empregados no Comércio (Sincomerciários-Matão), visando a manutenção do emprego e da renda, realizou 753 acordos de alterações em contratos de trabalho, sendo 501 acordos para suspenção de contrato e 252 para redução de jornada de trabalho e de salário.

“Diante dessas alterações de contrato, o índice de demissões foi mínimo”, considera o presidente do Sincomerciários-Matão, José Carlos Aparecido Pelegrini (Nei). Para divulgar um balanço das consequências deste período de isolamento social no comércio matonense, A Comarca buscou depoimentos de Nei e de Antonio Geraldo Giannini (Toninho), presidente do Sincomércio-Matão.

Destaca-se que na tarde da quarta-feira (10), o Governo do Estado apresentou a segunda atualização do Plano São Paulo (PSP) para acompanhamento da evolução da pandemia da Covid-19. Toda a Região Central do Estado – onde Matão se encontra – regrediu da ‘Fase 3 - Amarela’ para a ‘Fase 2 - Laranja’ (leia no quadro). As medidas serão vigentes após a segunda-feira (15) e a nova atualização do PSP acontecerá no próximo dia 17. Seguem os depoimentos de Toninho e Nei.

“O empresário, de repente, viu o seu negócio desmoronar no último dia 11 de março. Sem proteção, sem projeto, sem previsão temporal, veio uma determinação: estamos em pandemia da Covid-19; temos que fechar as portas! Foi um sufoco só! Funcionários, fornecedores, bancos, tudo para pagar. E aí? O que fazer? Logo após, demissões se anunciaram. O Governo Federal lançou a flexibilização nas normas trabalhistas e isso ajudou um pouco para não haver tantas demissões.

Para tocar o negócio mais fechado do que aberto, veio a criatividade sobre como atender por telefone, enviar sacolas, drive thru, delivery e outras providências. Nesse meio tempo, vimos lojas fechar e outras tocando para não sumir. Pior! Vimos o descaso dos Governos Federal e Estadual, pois ambos afirmaram que poderiam ser concedidos empréstimos a juros bem baixos, mas na realidade, até agora, nada disso aconteceu.

O setor financeiro – os bancos – e o segmento cartorário não deram a mínima para os problemas dos empresários. Os títulos vencendo e sendo protestados; empresas que nunca tinha sido apontadas foram protestadas. Nós, do Sincomércio-Matão, consideramos tudo isso um descaso muito grande, tanto dos Governos Estadual e Federal como de setores privados.

Desejamos que – mais uma vez – os empresários do setor industrial entendam que tudo aconteceu por força maior e não cortem os créditos dos lojistas, pois, infelizmente, já observamos instituições financeiras negando crédito por motivo de protestos. Há muitos estabelecimentos que só conseguirão se manter se houver estímulo da parte financeira, com recursos bem abaixo do que está sendo cobrado.

Estamos ansiosos e com esperança de que podemos trabalhar da melhor forma possível, com segurança e todas as exigências sanitárias, para que aos poucos nos estruturemos e não haja mais demissões e fechamento de estabelecimentos. Não podemos regredir como agora, da ‘Fase 3 - Amarela’ para a ‘Fase 2 - Laranja’. Precisamos de todos! O Sincomércio-Matão não pode fazer mais do que faz ou tenta fazer nesse momento.

Através da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), estamos cobrando e dando sugestão para os Governos Federal e Estadual do que – sobretudo – os micros e pequenos empresários necessitam. Esperamos que logo possam nos ajudar, para que em pouco tempo, estimo de dois a três anos, voltemos a normalizar a situação, que já não era boa”.

Toninho Giannini

“O número de alterações de contratos de trabalho ficou acima do esperado, mas eles acabaram sendo a melhor solução, uma vez que evitaram as demissões. Foram muitas conversas e trabalho conjunto para encontrar a melhor solução tanto aos trabalhadores quanto aos comerciantes. Foi feito o que era possível fazer, dentro das circunstâncias, numa situação que nunca tínhamos enfrentando. Nossa preocupação agora é com o pós-pandemia, pois, se não houver uma política séria dos Governos Federal e Estadual para recuperar a economia, poderemos ter demissões.

Quanto às demissões, aquelas realizadas com acompanhamento do Sincomerciários-Matão, ficaram dentro da normalidade, mantendo a média, independentemente da pandemia. É importante frisar que nem todas as demissões passam pelo sindicato. Diante da dificuldade, cada um se adequou da melhor forma possível e, nesse período, o Sincomerciários-Matão se manteve atento para coibir possíveis desrespeitos aos direitos e cuidados com a saúde dos comerciários, apesar de que não recebemos nenhuma denúncia formal por parte dos trabalhadores.

Para este momento de flexibilização do isolamento social, pedimos a todos que respeitem as normas de segurança, como o uso de máscaras, para resguardar a saúde dos trabalhadores que estão na linha de frente dentro das empresas, correndo os maiores riscos. Infelizmente, regredimos da ‘Fase 3 - Amarela’ para a ‘Fase 2 - Laranja’. Temos que evoluir! Vamos todos nos esforçar para isso! A doença está aí, só não vê quem não quer. Entendemos que a vida precisa seguir adiante, mas é necessário cumprir os protocolos de segurança para evitar um número ainda maior de mortes”. Nei Pelegrini.


0 visualização

(16) 997848008

©2020 por Social Night. Orgulhosamente criado com Wix.com